Compositor: Mauro Pagani / Fabrizio De André / Ivano Fossati
Despertar-te-ás sobre o índico da matina
Quando a luz tem um pé na terra e o outro no mar
Olhar-te-ás ao espelho de uma panela
Colocarás a vassoura direita em um canto
Que se da capa escorrega na cozinha a bruxa
A força de contar as palhas que há
Lá cima está já cheia, está já costurada
Céu sereno, terra escura
Carne tenra não tornar-se negra
Não retornar dura
Belo travesseiro, colchão de cada bem de Deus
Antes de batizá-la nas ervas aromáticas
Com duas grossas agulhas direcionadas para a ponta do pé
De cima a baixo pungir-la-ás
Ar de lua velha de clarão de névoa
Que o clérigo perde a cabeça e o asno o caminho
Odor de mar mesclado à maior leveza
Que coisa outra fazer, que coisa outra dar ao céu
Céu sereno, terra escura
Carne tenra não tornar-se negra
Não retornar dura
E no nome de Maria
Todos os diabos desta panela
Ides embora
Depois vêm pegá-la de ti os garçons
Deixam-te todo o fumo do teu trabalho
Toca-a o solteiro na primeira facada
Comeis, comeis não sabeis quem vos comerás
Céu sereno, terra escura
Carne tenra não tornar-se negra
Não retornar dura
E no nome de Maria
Todos os diabos desta panela
Ides embora